User:The Ogre/soapbox

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[edit] Militar

Volume I - coordenação de José Mattoso

Nova História Militar de Portugal


Da Reconquista a D. Dinis De D. Afonso IV à Batalha de Alfarrobeira A Marinha de Guerra - A Pólvora. O Norte de África.


Exércitos flexíveis, vassalos que pegam em armas em resposta ao apelo do rei. Sem noção de disciplina militar, com armas próprias, sem uniforme. Da agilidade das hostes guerreiras ao desenvolver da protecção pessoal, passando pelo triunfo da cavalaria pesada, e pela alteração do conceito de guerra para expansão territorial.


Volume II – coordenação de António Manuel Hespanha

Nova História Militar de Portugal


A Guerra Moderna Conjunturas de Guerra (séculos XVI a XVIII) A guerra da Índia As praças de Marrocos e Alcácer Quibir A Grande ArmadaA guerra dos Açores As guerras do Atlântico Sul A Guerra da Aclamação A Guerra de Sucessão de Espanha


Disciplina, eficiência, armas de fogo. Centralizado o poder, aplicado à guerra novos conhecimentos artilharia e logística, passa-se do conceito de vassalagem à noção de disciplina do corpo militar. As Luzes trazem o conceito de especialização e técnica, e a armas de fogo revolucionam o conceito de guerra e estratégia.

Volume III – coordenação de Manuel Themudo Barata

Nova História Militar de Portugal


A Revolução Francesa e as Invasões Napoleónicas Guerra Subversiva – Soldados sem Uniforme As Guerras Liberais Tecnologia e Armamento O Ultramar


Indústria, poder, território. Três invasões francesas, um crescente da acção diplomática e a perda de poder militar português. A guerra subversiva dos que combatiam sem uniforme e as Guerras Liberais. A independência do Brasil, os primeiros conflitos nas colónias e a corrida a África pelas potências europeias.

Volume IV – coordenação de Nuno Severiano Teixeira

Nova História Militar de Portugal


Primeira Guerra Mundial Guerra Civil Espanhola Segunda Guerra Mundial Guerra Fria Guerra Colonial A Actual Organização Militar


A distância e a proximidade dos conflitos. As repercussões dos grandes conflitos mundiais em Portugal e a crescente importância estratégica dos Açores. A primeira grande abordagem da Guerra Colonial numa apurada recolha de testemunhos e apuramento de factos históricos.


Volume V – coordenação de Nuno Severiano Teixeira

Nova História Militar de Portugal


A Mulher e a Guerra A Fotografia e a Guerra A Ciência e a Guerra O Jornalismo e a Guerra A Arte e a Guerra O Cinema e a Guerra Rostos das Batalhas


Frente interna. O lado humano da guerra. Entre testemunhos, relatos e documentos revela-se o outro lado dos conflitos. A mulher, a fotografia, o cinema, a ciência e o jornalismo são alguns dos temas em visita neste volume. Uma inédita reflexão sobre a guerra e os que a viveram de Aljubarrota à Guerra Colonial.


O Tenente‑General Manuel Themudo Barata e o Ensino Militar

Em jeito de aditamento a “Uma Cronologia da História do Ensino Superior Militar em Portugal”, que publicámos, em conjunto com o Capitão‑Tenente Costa Canas, no número de Maio de 2005 da Revista Militar, dedicado ao Ensino Superior Militar, gostaríamos que os nossos leitores juntassem à Bibliografia então citada, a leitura obrigatória de alguns textos recentemente publicados pelo General Themudo Barata. Apesar de não alterarem a cronologia propriamente dita, os dois artigos publicados pelo General Themudo Barata no volume 3 da Nova História de Portugal de que foi também Director de Colecção (em parceria com o Prof. Doutor Nuno Severiano Teixeira), sustentam claramente os dados ali citados, com uma visão da evolução do Ensino Militar em Portugal, feita a par da evolução das ciências militares em Portugal e no Mundo. Quer em “Manuel Themudo Barata, Ensino Militar: Primeiros Passos, in Nova História Militar de Portugal, Manuel Themudo Barata e Nuno Severiano Teixeira (dir), vol 3, Circulo de Leitores, pp. 412‑421”, quer depois em “Manuel Themudo Barata, Ensino Militar: Passos definitivos em Portugal e no Brasil”, in Nova História Militar de Portugal, Manuel Themudo Barata e Nuno Severiano Teixeira (dir), vol 3, Circulo de Leitores, pp. 422‑429", o saudoso General Themudo Barata dá‑nos a imagem do quanto foi estruturante (e inovador) para as Forças Armadas em Portugal, o Ensino Superior Militar. Estes dois artigos tiveram por base um trabalho que o General publicara em 1999, mas de âmbito menos global: “O exército e o ensino superior em Portugal (séculos XVII e XVIII)”, in Fraternidade e abnegação, vol. II, Lisboa, Academia Portuguesa de História. Para o General Themudo Barata, “a primeira Escola de Ensino Militar”, foi criada em Vila Viçosa em 1525 (“por D. Teodósio, futuro 5º Duque de Bragança, ainda em tempo de seu pai, D. Jaime”), numa perspectiva e com critérios associados à evolução do fenómeno da guerra, e da ciência militar em Portugal (critérios muito próximos dos que utilizámos no nosso artigo). Considera, também, que o verdadeiro Ensino Superior Militar tem início em 1641, com a criação por D. João IV da “Aula de Artilharia e Esquadria”. Destaca ainda, a criação da Academia Real de Fortificação Artilharia e Desenho (ARFAD, 1790) como um “passo inovador no mundo daquele tempo”, pois nada de paralelo existia, “quer em Espanha, quer pela restante Europa, e somente em 1796 surgiu na Suécia uma Academia de Ciências Militares que lhe era comparável” (p.422). Para o General Themudo Barata, a Escola Militar de Paris (fundada em 17 de Julho de 1777), “não tinha ainda o carácter obrigatório de frequência para acesso na carreira que a nossa possuía”. O General Themudo Barata salienta ainda como foram criadas as várias escolas militares no Brasil e como a “Academia Militar das Agulhas Negras” tem como referência histórica a “Academia Real Militar”, fundada pelos portugueses a 4 de Dezembro de 1810. É então fácil perceber dos textos (mas também de conversas em que tivemos o privilégio de aprender) como, por razões mais políticas do que científicas, Portugal perdeu 47 anos de História (a Academia Militar, na hierarquia das antiguidades é mais moderna que a maioria das Academias europeias e mesmo do que a Academia de Agulhas Negras!). O General Themudo Barata termina a sua abordagem do Ensino Militar com uma figura ilustre também na área do ensino, Fontes Pereira de Melo (já na segunda metade do século XIX). No quarto volume da colecção, o Ensino Superior Militar está diluído cronologicamente ao longo dos vários textos, sendo abordado por diversos autores, mas sem as análises tão profundas e rigorosas como o General Themudo Barata nos habituou nos seus trabalhos em geral e no volume 3 da sua colecção da “Nova História Militar de Portugal” em particular. Tenente‑Coronel João José Vieira Borges Sócio Efectivo da Revista Militar. Assessor de estudos no IDN e professor na Academia Militar. in http://www.revistamilitar.pt/modules/articles/article.php?id=16

http://www.revistamilitar.pt/ ________________________________


A história militar medieval portuguesa

João Gouveia Monteiro *


A história militar portuguesa da Idade Média é um continente apaixonante, mas ainda muito mal conhecido, da história medieval do nosso país. E, contudo, é sabido que Portugal se formou na guerra e a partir da guerra. A própria criação do Condado Portucalense foi uma resultante da ameaça militar almorávida. Estabelecido o condado, logo se tratou de o ampliar. E isso só foi possível, de novo, pela guerra. Neste caso, a guerra da Reconquista, que se prolongaria até muito perto dos finais do século XIII. Quando, em 1297, D. Dinis assinou em Alcanices o tratado que, mutatis mutandis, definiria as fronteiras de Portugal até aos nossos dias, pode dizer-se que terminava a etapa mais importante da grande aventura guerreira que acabara por dar corpo ao pequeno estado português. E, no entanto, de guerra se continuou a falar, pêlos séculos XIV e XV adiante. Uma guerra que visava, agora, sobretudo defender a integridade territorial do nosso reino e, se possível, alargá-lo. Percebemos, portanto, que a guerra não foi uma ocorrência excepcional na sociedade medieval portuguesa. Os castelos e os escudos presentes nos símbolos concelhios e nas insígnias régias constituem apenas os testemunhos iconográficos mais conhecidos dessa íntima relação, que marcou como ferro em brasa os primeiros séculos da nossa nacionalidade. Torna-se, assim, irrecusável encarar de uma forma rigorosa a história militar medieval portuguesa. Muito em especial as seguintes quatro vertentes:


O recrutamento e a organização militar

Trata-se aqui de saber quem fazia a guerra e em que condições 'contratuais'. Na Idade Média, não havia exércitos permanentes. A hoste régia era composta ad hoc, sempre que a iminência da abertura das hostilidades o aconselhava. Essa hoste assentava em dois tipos de contributos: o da nobreza e o dos concelhos. Durante bastante ' tempo, os nobres serviram o rei na guerra em resultado das obrigações feudo-vassálicas a que estavam sujeitos. Além da sua pessoa, deviam apresentar também um certo número de "lanças", ou seja, de guerreiros convenientemente equipados e parte deles montados. Entretanto, na segunda metade do século XIV começaram a multiplicar-se os casos de contratação estipendiaria, campanha a campanha, do serviço militar dos nobres; o "soldo" afirmou-se como um argumento decisivo e chegaram mesmo a aparecer em Portugal verdadeiras 'companhias de aventura', com assinalável participação de guerreiros de origem nobre. Já o recrutamento concelhio estava bastante mais regulamentado. Comportava essencialmente duas modalidades.

A primeira correspondia ao serviço dos "cavaleiros-vilãos" (ou "aquantiados", desde o século XIV), pequenos proprietários livres que, por possuírem bens suficientes para adquirir um cavalo (ou certas armas), prestavam serviço militar ao rei, gozando em contrapartida de uma série de privilégios. A segunda modalidade correspondia aos chamados "besteiros do conto", que eram mesteirais exercitados na arte do tiro com besta, recrutados nos concelhos em quantidade pré - estabelecida e que, por servirem o rei na guerra, gozavam, também eles, de diversas regalias. A todos estes combatentes poderiam depois acrescentar-se os oriundos das Ordens Militares, ou os dos contingentes de mercenários estrangeiros contratados, ou ainda alguns criminosos a quem a Coroa prometia perdoar. Ao todo, nos finais da Idade Média, as maiores hostes régias portuguesas devem ter reunido um total próximo dos 10.000 a 12.000 efectivos. Como é óbvio, tornava-se imperioso saber organizar convenientemente essa massa de gente, que para mais se juntava apenas por algumas semanas e não dispunha de disciplina própria. Coube ao alferes e, mais tarde, ao condestável e ao marechal, assegurar a boa ordem das colunas de marcha e o respectivo alojamento e abastecimento, para além da supervisão dos importantíssimos trabalhos de exploração do terreno e de espionagem do adversário.

Topo


As tácticas e operações militares

Os chefes militares medievais dispunham de alguns conhecimentos teóricos sobre a arte de fazer a guerra, bebidos em traduções de tratados da Antiguidade e nos romances de cavalaria. Sabia-se como organizar ataques concêntricos, por mar ou por terra, e sabia-se sobretudo como actuar tacticamente em três tipos de situações principais: em batalha campal (bastante raras na época, pois tinham custos e riscos muitos elevados); em operações de cerco de castelos (extremamente vulgares e geralmente muito arrastados, devido à supremacia dos meios defensivos); e, especialmente, em 'acções de guerrilha', as mais características de toda a guerra medieval. Torna-se, assim, extremamente aliciante reconstituir a história das campanhas que envolveram os nossos exércitos medievais portugueses. Designadamente aquelas que marcaram o avanço da Reconquista (com o seu longo cortejo de cercos e de tomada de cidades meridionais ocupadas pêlos muçulmanos), as relacionadas com as três guerras fernandinas contra Castela, as associadas à revolução de 1383-85 (que incluiu cercos imponentes - como os de Lisboa, Alenquer, Torres Vedras, Chaves, ou Melgaço, entre muitos outros - mas também algumas batalhas, como Atoleiros, Trancoso, Aljubarrota e Valverde) e, finalmente, as resultantes da ocupação e afastamento da Regência do reino pelo infante D. Pedro, tragicamente liquidado na batalha de Alfarrobeira (junto a Alverca) em Maio de 1449.


As armas e os castelos

Conhecer a arte medieval de fazer a guerra implica também estudar com rigor o armamento utilizado nos combates. Desde logo o equipamento defensivo dos guerreiros, que, no Portugal medieval, pouco ficava a dever aos seus congéneres europeus: protecções de cabeça como os elmos e os bacinetes (com as respectivas peças suplementares, destinadas à defesa do nariz, do queixo ou do pescoço); protecções de tronco como as lorigas (feitas de anéis metálicos entrelaçados), as couraças (coletes de couro acolchoados e forrados com lâminas de ferro) e as célebres armaduras de placas metálicas; e protecções dos membros superiores e inferiores, interligadas ou não com as restantes e incluindo peças como as luvas e os sapatos de ferro. Depois, há a considerar o armamento ofensivo individual. Por um lado, as 'armas brancas', especialmente a espada e a lança (que eram as armas-rainhas dos cavaleiros), mas também as maças, as achas-de-armas e uma grande variedade de outros 'cacetes', muito utilizados pela peonagem. Por outro, as 'armas de arremesso', em especial a besta, que disparava projécteis capazes de derrubar os cavaleiros das suas montadas, ou mesmo de os matar. Importante é ainda a análise do fabrico e utilização das primeiras armas de fogo: os "trons" ou "bombardas", esses antepassados dos canhões, praticamente só utilizados em operações de cerco até aos finais da Idade Média, devido às dificuldades que o seu peso, deficiente pontaria e demoradíssima recarga colocavam. Entretanto, é curioso registar que os progressos evidenciados ao nível do armamento obrigaram os arquitectos a repensar os seus castelos. É que o castelo românico, surgido em meados do século XII, fora concebido para uma resistência passiva. Dispunha de poucas soluções de 'contra-ataque' e confiava na altura imensa das suas muralhas. A partir de D. Dinis, porém, e tal como no resto da Península Ibérica, surgiu em Portugal o castelo gótico, que estava equipado com sistemas de "defesa activa", em especial graças aos "balcões com matacães" que coroavam algumas torres e ameias e que permitiam o despejo vertical de pesados pedregulhos e de materiais inflamáveis. Na segunda metade do século XIV, apareceriam ainda as barbacãs, pequenos muros avançados que ofereciam um primeiro obstáculo aos assaltantes e aos respectivos projécteis. Ao mesmo tempo, começou-se a procurar integrar nas próprias muralhas algumas peças de artilharia pirobalística, pelo que se rasgaram nas paredes dos muros pequenos orifícios circulares, conhecidos por "troneiras".


Consequências da guerra

Finalmente, não poderá ignorar-se a análise dos aspectos de inter-relacionação da guerra medieval com a estrutura da formação social coeva. Estudar a guerra é compreender a dimensão dos seus 'estragos' (em termos demográficos, económicos e mesmo psicológicos); mas é, ao mesmo tempo, perceber também a sua importância como factor de redistribuição da riqueza e de renovação social e política. Além disso, seria admirável conseguir penetrar no universo cultural e religioso dos indivíduos que faziam a guerra e entender de que forma é que a proximidade da morte, por um lado, e da glória, por outro, podem ter agido sobre a consciência e a mentalidade desses homens, condicionando ou estimulando a sua bravura e as suas fraquezas.


  • João Gouveia Monteiro

Professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. http://www.janusonline.pt/1999_2000/1999_2000_1_4.html#1


 Publicado em 16 Jan 2006 (1368 leituras)  

Terras do Fim do Mundo - Campanhas do Kuamato (1905,1906,1907) -

Mestre José Carlos de Oliveira*


Deste documento faz parte um documentário, composto por cerca de 150 fotografias relacionadas com o assunto, criteriosamente seleccionadas. A realização audiovisual foi criada para ser exibida em complemento ao entendimento do espírito do tempo em que os factos se passaram. Sem esse suporte, torna-se mais difícil qualquer abordagem. Porém tanto o documentário como o presente artigo reflectem o ângulo de visão e de opinião do autor que, não por acaso, é antropólogo.

Tal como vem acontecendo há 45 anos, os Ex-Instruendos da classe de 1959 da Ex EAMA (Escola de Aplicação Militar de Angola) de Nova Lisboa, mais uma vez se reuniram, e diga-se em abono da verdade, para que se saiba, todos fomos incorporados em companhias Indígenas.

A meio da última confraternização (2005), numa troca de palavras com um velho e grande companheiro, no caso o Coronel Catolino Dias Pinto, (sem qualquer desrespeito pelos restantes) lamentava-me eu, da actuação menos própria de alguns militares. Em resposta, recebi uma grande lição “Zé, não te esqueças, antes de militares são homens, e algumas características menos dignas, também se encontram inscritas na nossa natureza humana…

E ao começar pela abordagem dos valores morais, que teimam em pautar a atitude dos homens e das mulheres, pertençam eles à Nação que perten­cerem (no sentido de chão, de país, de terra dos pais) lembrei-me daqueles que, dum lado e de outro, nos antecederam nas vicissitudes da vida militar.

Nesta Zona de África tudo começou para os portugueses por volta de 1485. Diogo Cão ia dando continuidade às ordens dos seus maiores, percorrendo as etapas necessárias, estabelecendo os respectivos contactos, que facilitariam o posterior encontro com o “Adamastor”. Na sua segunda viagem, colocou o padrão do Cabo Negro1 situado perto da povoação de Pinda e de Porto Alexandre, entre os paralelos 15 e 16 de latitude sul.

A sul da costa de Moçâmedes situa-se a enseada da “Angra do negro” conhecida pelos ingleses por “Little Fish Bay”, mas que para os naturais sempre foi conhecida como Bisungo‑Bitolo. As embarcações portuguesas ron­dariam estas paragens à caça de baleias e na rapina de “peças” (escravos), havendo notícias da presença dos portugueses no século XVII. Terá sido por volta dessa altura que um português deu o nome de Moçâmedes à Baía, embora estas informações sejam muito obscuras. Outras mais concretas dão notícia de uma expedição comandada pelo rico sertanejo Gregório José Mendes na patente de Sargento-mor das ordenanças.

Incumbido de actualizar informações das rotas do comércio do interior, e por outro lado corrigir a infeliz incursão da expedição marítima do Tenente de mar António Valente e do Tenente-coronel Pinheiro Furtado. Ousaram explorar terra depois de arribar em 3 de Agosto de 1785 a Angra do Norte. Foram assassinados quando exploravam a margem do Bero.



Segmento de carta geográfica de 1907 com localização das Terras do Fim do Mundo “Kuamato”

E tudo isto porque tinham sido incumbidos pelo governador da zona para explorarem a possibilidade de criarem ali um possível presídio 2. Sempre que os exploradores europeus, de qualquer potência colonizadora, menosprezaram a inteligência dos nativos, sofreram as respectivas consequências, acabando com frequência por morrer inutilmente.

Todo um passado recente dizia aos potentados quão perigosa se tornaria a permanência militar dos brancos na zona. E note-se que então como hoje, fazer incursões não era difícil, a dificuldade estava em permanecer nos locais avassalados. O adversário sabia memorizar as circunstâncias. Quem invadia, tratando-se de europeus, não estava minimamente adaptado ao clima, à geografia e era desconhecedor quase absoluto dos trilhos de contacto com as populações. Foi assim também nos primeiros dois anos da guerra colonial vivida a partir de meados dos anos cinquenta, já lá vão outros cinquenta anos.

Um astuto, ousado e conhecedor sertanejo, António Guimarães Júnior ofereceu-se, já em 1839 para fundar um estabelecimento em terras de Moçamedes. O objectivo era o de comercializar, carne salgada, fabrico de sola, uma vez que nos nativos eram possuidores de imenso gado bovino.

Todavia não podemos esquecer que estes privilégios concedidos pelo governo tinham por detrás, para além do lucro, a espionagem a favor da implantação do domínio português.

O elemento militar português, ou o que por tal passava, era ainda em 1845‑1848, mais do que nunca o escudo do comércio dos grandes negociantes de Luanda e Benguela. E estes, por sua vez, contavam com a resistência e coragem dos seus pumbeiros e aviados, comerciantes ambulantes, negros mestiços libertos ou forros e mesmo até escravos que deambulavam pelos mercados do interior, tanto os já afectos aos portugueses como aqueles em que os europeus ainda pagavam pela permissão de comprar e vender. Estas relações explicam em grande parte a continuidade de um sistema de trocas (álcool armas, pólvora, panos, etc.) a que correspondia um equilíbrio económico que não conhecera substituto em África.

A grande força dos portugueses provinha da quase total ausência de concorrência comercial e política... Só estava seriamente ameaçado, a norte das possessões reais ao longo do que os portugueses chamavam a Costa do Norte. Era grande e muito experiente a habilidade dos armadores “estáticos” de Luanda e Benguela ao utilizarem a resistência e coragem dos seus pombeiros e aviados, negros mestiços libertos ou forros e mesmo até escravos, quando não eram até degredados, foragidos ou não, como aconteceu com João Brandão e José do Telhado. Deambulavam pelos mercados do interior, tanto os já afectos aos portugueses como aqueles em que os europeus ainda pagavam pela permissão de comprar e vender. Estes agentes itinerantes iam funar (leia-se praticar o comércio ambulante) pelos mercados do interior no sertão já subjugado ou pelos ainda insubmissos potentados. A perpetuação do sistema de trocas (álcool, armas, pólvora, panos etc.) correspondia a um equilíbrio económico que não conhecera substituto em África.

Um dos principais conflitos residia na oposição que os comerciantes faziam aos militares. Tentavam a todo o transe transformar a transferência de poderes fiscais no sertão. Os missionários por sua vez não viam com bons olhos a ocupação militar, pressentiam as razias. Todos, sem excepção, desconfiavam de todos.

São do General Norton de Matos as seguintes palavras: A 1ª Grande Guerra fez desaparecer o enorme império Austríaco do mapa da Europa, formando com ele diversas nações, no meio das quais a Áustria ficou mínima em território e população, sem finanças próprias, servindo a ensaios e experiências políticas, quase como uma curiosidade de museu3.

E diz mais: Que mandou uma carta a 1 de Janeiro de 1913 ao ministro das colónias de então com os seguintes dizeres: Desejo-lhe um ano novo cheio de venturas. Venho pedir-lhe que leia o livro de F.Von Bernhardi. A Alemanha e a próxima guerra que foi posto à venda nos fins de 1911. Sei que V. Exa., lê correctamente o alemão, mas já há deste livro uma tradução inglesa4.

Nos tempos que antecederam a Grande Guerra estava a Alemanha ocupada na sua fantástica obra a federação Central Europeia. Para tanto teria que empregar os meios julgados convenientes alargando os seus territórios coloniais em África. Ocorreram acontecimentos que mostravam a possibili­dade da Alemanha obter grandes territórios em África e na América do Sul em consequência de negociações pacíficas subjacentes com a crise financeira e política Portuguesa…

Apresentava-se assim uma oportunidade excelente para se apoderar das colónias portuguesas mais valiosas, embora se tenha dito que a Inglaterra depois de ter chegado a acordo com a Alemanha sobre a partilha das colónias Lusitanas, garantiu a Portugal, (por meio de uma convenção especial) a posse de todas as suas colónias.

Continuam as transcrições, “as terras de África, que terão de passar para a nossa posse devem de ser encaradas sobre dois aspectos: desejamos que umas sejam próprias para a colonização alemã, para a fixação dos colonos germânicos e outras que sejam fornecedoras de matérias-primas e constituam mercados dos produtos alemães”.

Não devemos, porém perder de vista a absoluta necessidade de não enfraquecer na África o elemento germânico, espalhando os colonos ou os comerciantes pelos territórios africanos. Temos de os reunir em blocos compactos, em centros políticos de gravidade, próprios para a criação de mercados das nossas exportações, para a difusão da cultura alemã.

Foi contra este Golias germânico, entre outros que o pequeno Portugal teve de se haver. De que lado enfileirar então? A coabitação, a dominação e a influência dos Portugueses, por antigas que fossem, podiam a todo o momento ser contestadas pelos seus súbditos, vassalos e vizinhos.

A disenteria, a malária, o escorbuto, a filaria, a tuberculose faziam as suas razias nas tropas expedicionárias, àa quais não faltava a semente da desunião. Não admira portanto que um dos piores revezes tivesse acontecido em Setembro de 1904 com os Kuamato. Um guia ovimbundo que fora deportado para o Humbe5 levou-os a cair numa emboscada em Umpungo.


Guerreiros Kuamato Foto do então Alferes Veloso e Castro 1905

Os guerreiros Kuamato, munidos de excelente armamento, muito dele conseguido com a venda de gado, mais para o sul do que para o norte… eram, e continuam a ser, possuidores de excepcionais qualidades militares. As populações vizinhas, juntavam‑se a eles, constituindo a temível Liga Ovampo, sempre que era necessário combater o inimigo comum, o branco. Como sempre, os Kuamato quando entravam em contacto com os inimigos e em especial contra os portugueses mantinham-se ocultos entre as árvores, tal como aconteceu com a expedição do Comandante Aguiar. Começaram por disparar sobre os oficiais e depois avançaram. A cavalaria, carregou sobre as árvores e perdeu as montadas, tudo aconteceu como em 1891. Os Kuamato estavam a 100 150 metros e tinham concentrado um poder de fogo invulgar nos confrontos bélicos em Angola.

Pior que tudo, o Comandante Aguiar mandou usar a artilharia, as peças mal apontadas dispararam sobre os sobreviventes, que saíam do mato. Naquela ratoeira os Kuamato não fizeram prisioneiros acabando por dar a morte aos últimos sol­dados que ainda resistiam.


Foto do Alferes Veloso e Castro campanhas do Kuamamto 1905

Por volta de Agosto de 1904 todos os Ovambo pressentiam6 que algo acontecia com o Exército Português estacionado na zona. Preparavam uma grande guerra e pareciam muito confiantes.

Os sacrifícios eram incomensuráveis, a fotografia intercalada que se apresenta dá certamente uma pálida ideia do que era, por exemplo, um carro com dez juntas de bois preparado para transportar três toneladas. Muitas vezes o condutor carreiro, era preto, já civilizado, manejando o chicote a preceito, coadjuvado pelo homem do travão e candeeiro, que normalmente não passava de um rapazito e seguia à frente da primeira junta de bois7. Pode imaginar-se o que seria comandar uma expedição militar, constituída por 2 291 militares, oficiais, sargentos e praças, incluindo indivíduos civis, condenados, e indígenas; 115 auxiliares portugueses, boers e indígenas; 100 cavalos, 181 muares, 620 bois de carro, 40 bois para abater (deveriam contar-se entre os bois a abater os que se fossem perdendo das juntas de bois de tracção). E falamos nós hoje de dificuldades. O autor destas linhas foi militar numa companhia indígena, mais propriamente a 5ª Companhia de Caçadores Indígenas do Batalhão de Caçadores Nº 3 (com muita honra) de 1959 a 1963, sempre no Norte de Angola. Sabe muito bem do que fala, durante 35 anos manteve-se na Zona. Acaba de chegar do Uije, onde foi reconfirmar e adquirir novos conhecimentos para dar continuidade à sua tese de doutoramento.


Libata do kuamato 1905

O terreno em terras do Kuamato e do Ovampo é relativamente plano, apenas ligeiras ondulações aqui, além coincidindo em regra com zonas de cultura… Quem atravesse qualquer dos vaus de Balaonde, Pemba, do Encondo ou Macuma, embrenha‑se de seguida em matas marginais, atingindo depois um plató, cujo o aspecto geral seria o de uma vastíssima campina de capim, salpicada por vezes de manchas de mutiati. Essas manchas de mata, ligadas entre si, envolvem as zonas de capim que ficam livres e tomam o nome de chanas. Estas por sua vez, quando extensas e estreitas e correspondendo a depressões sensíveis do terreno, tomam o nome de mulolas. Em regra é à volta das chanas, no meio do mato, que vivem os naturais em libatas, bem defendidas por cercados de pau a pique.

Weyulu, o grande chefe político e militar, já não estava entre os vivos para poder mandar incutir aos seus lenga (guerreiros comandantes) a força mágica vital induzida aos Kuanhama em vitórias anteriores, faltavam‑lhes também os grandes conselheiros alemães... como faltaram às gentes do norte a “inteli­gência” inglesa. O sucessor de Weyulu seu irmão Nande, segundo algumas informações de fonte fidedigna, não era muito afecto aos brancos alemães. Dizia-lhe a experiência vivida e pelos seus antecessores transmitida que, se os seus queriam sobreviver tal custaria a separação do reino. Os brancos dividiriam o país Ovambo entre si. O melhor seria fazer as pazes com eles, embora os chefes guerreiros Lenga, quase todos Ovampo, não Kuanhama, ou mesmo renegados Humbe ou Ganguela, fossem deten­tores de uma enorme vantagem: muito astutos e profundos conhecedores do seu chão, sabiam ler todas as pegadas e pela forma como se inscreviam no terreno até conheciam as intenções do inimigo. Comandavam de forma magistral cerca de 300 homens. A sua experiência era longa, tinham presenciado primeiro e comandado depois, inúmeras razias e saques, sendo essa experiência a força da sua razão, por isso, resistiam às incertezas do seu rei. Se fosse necessário desobedecer, o recurso seria envenenamento do rei. Não deixariam de retirar a sua parte da presa de guerra. Era o seu ofício.

Segundo o missionário francês Lecomte8 “só os Kuamato e os Vale (Mucubais) eram de temer. Eram corajosos, ao passo que os Kuanhama baseavam a sua estratégia no efeito de surpresa e na sua rapidez de atacar as povoações”. Aquilo a que chamamos razias.

Mas Nande, interiormente não se deixava enganar. A sua intuição dizia‑lhe que mais tarde ou mais cedo, as metralhadoras alemãs a sul e as portuguesas a norte, acabariam por crivar de balas a sua independência. O Padre Ernesto Lecomte9 numa das suas “duas cartas dum missionário...” escrevia. Foi ele que em 1901 teria exclamado para o irmão Weyulu: “Visto isso, tu hás-de pertencer aos alemães e eu aos portugueses (Nande administrava o Norte) verás que daqui a meia dúzia de anos já não seremos mais nada e o poder há-de ser dos brancos 10.

Só a indecisão da administração portuguesa iria permitir aos Ovambo, pelo menos aos Kuanhama conservar a sua independência até ao verão de 1915. Facto absolutamente notável, pois só os Dembu a Norte, e a revolta de Buta na zona fronteiriça de S.Salvador, hoje Banza Kongo, tinham similitudes notáveis. Independentemente de tudo isto, o envenenamento espreitava Nande se quisesse tocar no tecido social e económico dos Kuanhama. Extraordinariamente penoso foi admitirem que os brancos eram possuidores das novas magias de matar. Os seus chefes espirituais não as compreendiam, e por isso, não conseguiam transmitir ao seu líder a forma de suportar a derrota.

O autor está ciente (e não necessita de ser um estratega militar) que embora o canhão fosse uma força dissuasora era muito difícil de locomover nestes terrenos. Três novos elementos introduzidos foram fundamentais para conduzir os brancos à vitória: A metralhadora que passou a devastar filas inteiras de comba­tentes indígenas. O telégrafo morse, grande ganhador das comunicações e que destronou o tambor de guerra das forças indígenas. E, finalmente, a fotografia, órgão que punha à disposição do Estado‑Maior do Exército dos brancos o panorama real e factual do que acontecia no terreno.

Acrescente-se que quando os missionários ingleses no norte de Angola utilizaram pela primeira vez esta tecnologia, “a Caixa Mágica” para surpreender as elites políticas que olhavam estarrecidas a figura do seu rei falecido, o seu espanto era enorme e os grandes feiticeiros mais uma vez ficaram, perante os seus notáveis sem poder justificar tal poder detido pelos “feiti­ceiros” brancos. Ainda hoje, no norte de Angola, a máquina fotográfica, na posse de um estrangeiro europeu é olhada com muita reserva.


O já Major Roçadas com oficias do seu Estado-Maior nas campanhas do kuamato

Com estas vantagens contou o Capitão Roçadas, (durante as três campanhas que dirigiu 1905, 1906, 1907) mas também com um vasto conhecimento adquirido pelas expe­dições anteriores. Ines­ti­mável foi a actuação do fidalgo Kalipalula Kuamato da mais alta linhagem. Vo­tado ao ostracismo pelas suas gentes, teve de abandonar com a família e haveres o seu chão. Encontrado muito ferido pelos portugueses, foi curado, em troca conduziu a expedição de Roçadas com a maior segurança, os menores custos e a maior rapidez em alcançar o objectivo.

Os Kuamatos já esperavam os portugueses. Tinham levado para o mato os mantimentos e as armas que podiam. Nas refregas foram auxiliados por outros povos vizinhos surpreendendo muitas vezes os exaustos expedicionários. Estas palavras do Capitão Roçadas são testemunho da valentia do adversário11, As qualidades guerreiras do inimigo e a sua força de combater”.

Estavam prestes a começar os recontros. Os Kuamato tinham reunido o máximo de vizinhos que podiam, mas por si eram os mais temidos, os mais aguerridos os mais audazes, sendo temidos pelos próprios Kuanhama e Evale. Estavam lá também os Kuambi, muito temidos no assalto à arma branca, enfim também os ganguela, barantus, e hingas. Ao todo cerca de 20 000 homens. Tal como Nande os seus guerreiros Kuamato renderam-se momentaneamente, a guerra na zona iria perdurar até para lá de 1920. Curiosamente a última guerra em Angola iria acabar com a morte de Jonas Malheiro Savimbi já lá vão quatro anos (2001).

Recordemos que no início mencionámos o General Norton de Matos: “Desejo-lhe um ano novo cheio de venturas. Venho pedir-lhe que leia o livro de F.Von Bernhardi. A Alemanha e a próxima guerra que foi posto à venda nos fins de 1911. Sei que V. Exa., lê correctamente o alemão, mas já há deste livro uma tradução inglesa.12”

Do discurso do Comandante de Operações do Kuamato, José Augusto Alves Roçadas, proferido na Sociedade de Geografia de Lisboa em 1908 ressalta um trecho final “…seja organizado por um processo idóneo, parece que seria o meio de iniciar desde já o ressurgimento daquela nossa pérola colonial, que, filha ainda, na infância, a mãe pátria deve cuidar em instruir, desenvolver e preparar para a luta futura, de forma a que no dia em que chegue à sua maioridade, ela possa dar-lhe voluntariamente o emblema da independência, na certeza do que terá quem continue a representar dignamente, como sucede hoje com o Brasil, a velha raça lusitana, e a considerar-nos como nação favorecida nos tratados mútuos.

Estas apreciações dependem sempre do mérito que o leitor possua em saber interpretar o espírito do tempo em que os acontecimentos se desenvolveram…

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  • Mestre em Ciências Sociais e Políticas, Antropologia Cultural e Estudos Africanos pelo ISCSP/UTL.

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1 Silva, Raul José Candeias Subsídios para a História da Colonização do Distrito de Moçâmedes Durante o século XIX, Stúdia Nº32 (Junho 1971) p. 371.
2 Idem p. 374.
3 Matos, Norton Memórias e trabalhos da minha vida, volume 4 pp. 9‑10.
4 Idem, p.18.
5 Pelissier, Rene, História das campanhas de Angola II, p. 191.
6 Pelissier, Rene História das campanhas de Angola II. p. 189.
7 Roçadas, José Augusto Alves Conferência sobre o Sul de Angola, A propósito das operações Militares do Cuamato, Sociedade de Geografia de Lisboa, 1908 p. 11.
8 René Pelissier, obra citada, II p. 190.
9 Lecomte, Ernest, Duas cartas do missionário Ernesto Lecomte, P. E Af. Nº132 Dezembro de 1904.

10 René Pélissier, obra citada I, p. 35. 11 Roçadas, José Augusto Alves, obra citada, p. 23. 12 Idem, p.18.

http://www.revistamilitar.pt/modules/articles/article.php?id=36


CRONOLOGIA DAS TROPAS PÁRA-QUEDISTAS Antecedentes - Criação e Expansão - Reorganização - Aerotransportados - Re-estruturação


Antecedentes ( ... - 1955)

1819 - (Dezembro, 12) - O inglês Eugénio Robertson realizou o primeiro salto em Pára-quedas registado em Portugal. Subindo num balão pilotado por seu pai, Robertson lançou-se da altura de 700 metros utilizando um pára-quedas de barquinha e indo aterrar para os lados da estrada da Luz, em Lisboa. 1922 - (Outubro, 06) - O Capitão Eng Mário Costa França e o Tenente Eng José Machado de Barros, da Companhia de Aerosteiros do Exército, efectuam em Alverca, a partir de um balão, o primeiro salto em pára-quedas feito por militares portugueses. 1930 - (Outubro, 14) - Na Base Aérea de Tancos, numa sessão de experimentação de pára-quedas para pilotos, é efectuado pelo 1ºCabo José Maria da Veiga e Moura, o primeiro salto em pára-quedas a partir de uma aeronave. O Cabo Moura saltou a 800 metros de altura utilizando um pára-quedas AVIOREX e aterrou perfeitamente ileso a Nordeste da povoação de Madeiras. 1942 - Em Richmond (Austrália) são formados 12 pára-quedistas naturais de Timor Leste. Alguns deles viriam a ser lançados na retaguarda das tropas japonesas que ocupavam Timor. Os 12 pára-quedistas foram: José Rebelo, Armindo Fernandes, José de Carvalho, Celestino dos Santos, João de ALmeida, Bernardino Reis Noronha, Câncio Reis Noronha, António José Álvaro Pinto, Abel de Sousa, Félix Barreto, João Bublic, José Joaquim dos Santos. 1951 - Os capitães Armindo Martins Videira, e Mário de Brito Monteiro Robalo, do Exército, frequentam na École de Troupes Aeroportèes, em Pau (França) o curso de pára-quedismo. 1952 - (Maio, 27) - É promulgada a Lei 2055, de 27 de Maio, que cria a Força Aérea Portuguesa como ramo independente das Forças Armadas. Esta Lei, no seu artº nº 9, prevê a constituição de uma unidade de pára-quedistas. 1953 - (Agosto - Dezembro) - O Aspirante-a-oficial Fausto Pereira Marques e os sargentos Américo de Matos, e Manuel Coelho Gonçalves frequentam em Pau o curso de pára-quedismo, e após a conclusão do curso, conjuntamente com o Capitão Monteiro Robalo, frequentam o curso de instrutores e monitores de pára-quedismo. 1953-54 - (Setembro - Março) - Os aspirantes-a-oficial Fernando Soares Cunha e António Rosado Serrano e o sargento José Freire de Sousa frequentam na Escuela Militar de Paracaidismo Mendez Parada, da Força Aérea Espanhola, em Alcantarilla (Espanha) os cursos de pára-quedismo e de instrutores.

Criação e Expansão das Tropas Pára-quedistas (1955 - 1974) 1955 - (Abril) - 232 voluntários, oficiais, sargentos e praças, frequentam em Alcantarilla (Espanha) o curso de pára-quedismo (22º Curso Basico de Paracaidismo), dos quais 192 terminam com aproveitamento.

1955 - (Maio, 27) - 192 pára-quedistas portugueses efectuam o seu primeiro salto de pára-quedas. Este núcleo inicial regressa e fica aquartelado, até ao fim do ano, nas instalações do Campo de Tiro da Serra da Carregueira. 1955 - (Agosto, 14) - É entregue o Guião à primeira Unidade de Pára-quedistas, em Lisboa, na Praça Marquês de Pombal. 1955 - (Novembro, 23) - De acordo com o artº 20 do Decreto-Lei nº 40395 (Regulamento para a Organização, Recrutamento e Serviço das Tropas Pára-quedistas) é autorizado, pela primeira vez na história dos uniformes das Forças Armadas Portuguesas, o uso de uma boina como cobertura de cabeça. As tropas pára-quedistas usam a Boina Verde. 1956 - (Janeiro, 01) - É criado o Batalhão de Caçadores Pára-quedistas - BCP (Portaria Nº 15671, de 26 de Dezembro de 1955), com sede em Tancos e dependente da recém criada Força Aérea Portuguesa. 1956 - (Janeiro - Outubro) - O Tenente Argentino Urbano Seixas e o Alferes Sigfredo Ventura Costa Campos frequentam no Brasil o curso de pára-quedismo e outros cursos técnicos aeroterrestres incluíndo os cursos de mestre de salto e precursor aeroterrestre. 1956 - (Fevereiro, 10) - Na Quinta dos Álamos (Golegã) é organizado o primeiro salto de pára-quedas da unidade em Portugal. Um a um, cerca de 50 homens, saem das portas dos velhos JU-52. O primeiro a saltar é o próprio comandante do Batalhão, capitão Armindo Videira. 1956 - (Maio, 23) - É oficialmente inaugurado o BCP em Tancos, tendo presidido à cerimónia o Subsecretário de Estado da Aeronáutica, Coronel Kaúlza de Arriaga. 1956 - (Julho, 1) - Na cerimónia comemorativa do Dia da Força Aérea, no Aeroporto da Portela, é entregue o Estandate Nacional ao BCP. 1957 - (Janeiro, 7) - Tem início o primeiro curso de pára-quedismo ministrado em Portugal. O curso que incluía 10 saltos, viria a ser concluído a 28 de Fevereiro, tendo ficado aptos 37 instruendos.

1957 - (Março, 7) - Tem inicio o primeiro "Curso de Instrutores e Monitores Pára-quedista", o curso terminaria em 25 de Maio tendo ficado aprovados 14 instruendos. 1959 - (Abril) - Antecedendo a instalação no Ultramar e para divulgação da Força Aérea e das tropas pára-quedistas, das suas possibilidades e versatilidade, são executados lançamentos de demonstração em Luanda, Sá da Bandeira e Nova Lisboa, no âmbito do exercício HIMBA. 1959 - (Agosto, 10) - Na sequência de incidentes em Bissau um Pelotão de Pára-quedistas comandado pelo Alferes Jerónimo Gonçalves segue para Bissau ai permanecendo até 20 de Agosto. 1960 - (Novembro) - Embarcam os primeiros pára-quedistas para Angola, para cumprirem missões operacionais. 1961 - (Janeiro, 26) - Uma Companhia de Pára-quedistas segue, em aviões DC-4 da FAP, para a ilha do Sal (Cabo Verde), Bissau (Guiné), e ilha de S. Tomé, com a missão de interceptarem um possivel desembarque dos assaltantes do paquete Santa Maria, que não chegou a realizar-se. 1961 - (Março, 16) - Logo após os graves incidentes no norte de Angola, chega a Luanda a 1ª Companhia de Caçadores Pára-quedistas (1ªCCP), logo seguida, em Abril pela 2ªCCP e um mês mais tarde, pela 3ªCCP. 1961 - (Abril, 24) - No Norte de Angola as tropas pára-quedistas sofrem o seu primeiro morto em combate: Sol/Paraq Joaquim Afonso Domingues. 1961 - (Maio, 5) - Criação do Regimento de Caçadores Pára-quedistas (RCP) com sede no BCP em Tancos que então é extinto (Portaria 18462, de 5 de Maio). Fazem parte integrante do novo Regimento, o Batalhão de Instrução (BI) e o Batalhão de Caçadores Pára-quedistas Nº11 (BCP 11) 1961 - (Maio, 8) - Formação do Batalhão de Caçadores Pára-quedistas Nº21 (BCP 21) em Angola (Portaria 18464, de 8 de Maio). 1961 - (Maio, 8) - Formação do Batalhão de Caçadores Pára-quedistas Nº31 (BCP 31) em Moçambique(Portaria 18464, de 8 de Maio). 1961 - (Junho, 06) - Inicio do 1ºCurso de Enfermeiras Pára-quedistas, das 11 candidatas que iniciaram o curso, 6 conquistam a Boina Verde. Pela primeira vez na história militar portuguesa as mulheres tem lugar nas fileiras.



1961 - (Agosto, 11) - Angola, Operação QUIPEDRO: pela primeira vez os pára-quedistas portugueses são empenhados em combate por meio de um lançamento em pára-quedas. 1961 - (Dezembro) - Três enfermeiras pára-quedistas participam na operação de evacuação de Goa, na sequência da invasão pela União Indiana. 1963 - (Julho, 3) - Colocado um Pelotão de Pára-quedistas em Bissau. O Pelotão irá integrar o Destacamento de Defesa Imediata do Aérodromo-Base 2. A 3 de Dezembro o Destacamento é reforçado com uma Equipa de Cães de Guerra e a 20 de Janeiro de 1964 recebe um segundo Pelotão de Pára-quedistas. 1964 - (Fevereiro, 7) - Durante uma operação realizada na mata de Cachide as Tropas Pára-quedistas sofreram o seu primeiro morto no Teatro de Operações da Guiné - Soldado Pára-quedista Rosa Neto. 1964 - (Outubro, 14) - Um terceiro Pelotão de Pára-quedistas chega a Bissau e é criada uma Companhia no AB2. 1966 - (Outubro, 20) - Formação do Batalhão de Caçadores Pára-quedistas Nº12 (BCP 12) em Bissau - Guiné (Portaria 22260, de 20 de Outubro). O Batalhão será activado a 14 de Outubro de 1966 incluindo a Companhia de Pára-quedistas do AB2. 1966 - (Novembro, 9) - Formação do Batalhão de Caçadores Pára-quedistas Nº32 (BCP 32) em Nacala - Moçambique (Portaria 22302, de 9 de Novembro). 1968 - (Abril, 04) O BCP 12 é condecorado com a Medalha de Cruz de Guerra de 1ª classe. 1968 - (Julho, 03) É inaugurado em Tancos, à entrada do aquartelamento do RCP, o monumento aos Pára-quedistas mortos em combate. 1969 - O BCP 31 é condecorado com a Medalha de Cruz de Guerra de 1ª classe. 1969 - (Novembro) - No decorrer da operação JOVE, militares pára-quedistas do BCP 12 (Guiné) aprisionam em combate o Capitão das Forças Armadas Revolucionárias de Cuba, de nome Pedro Rodriguez Peralta, confirmando o apoio externo às forças do PAIGC. 1973 - (Fevereiro, 12) - O BCP 21 é condecorado com a Medalha de Valor Militar - Ouro. 1974 - (Abril, 25) - Revolução do 25 de Abril. O Movimento das Forças Armadas depõe o antigo regime. Os Pára-quedistas apoiam a revolução efectuando a ocupação da Prisão de Caxias e já em 27 de Abril, a escolta para o Funchal do Presidente e 1ºMinistro depostos.


AQUELES EM QUEM PODER NÃO TEVE A MORTE


Reorganização na Força Aérea (1974 - 1993) 1974 - (Outubro, 15) - É extinto o BCP 12 na Guiné (Decreto-Lei 765/74). 1974 - (Novembro) - É desactivado o BCP 32 em Moçambique. 1975 - (Junho, 25) - É extinto o BCP 31 em Moçambique (Decreto-Lei 140/76). 1975 - (Abril, 07) - Um destacamento do RCP é enviado para Timor, constituindo-se no Destacamento de Caçadores Pára-quedistas Nº 1 (DCP). 1975 - (Julho, 05) - Criação do Corpo de Tropas Pára-quedistas (CTP) e das Bases Operacionais de Tropas Pára-quedistas Nº 1 e Nº2 (BOTP1 e BOTP2) respectivamente em Monsanto e S. Jacinto - Aveiro.

1975 - (Julho, 05) - É criada a Base Escola de Tropas Pára-quedistas (BETP) com sede no RCP em Tancos que é então extinto. 1975 - (Agosto, 26) - O DCP assegura a retirada, para a Ilha de Ataúro, do Governo do Território de Timor e do seu Estado-Maior. 1975 - (Agosto) - Durante a permanência em Ataúro, uma secção de pára-quedistas, a bordo da barcaça COMORO, dirigiu-de de novo a Timor tendo resgatado alguns militares do Exército que se encontravam aprisionados e abandonados no enclave de Oé-Cussi. 1975 - (Novembro, 10) - Na Fortaleza de S. Miguel, em Luanda, os pára-quedistas do BCP 21 prestam honras ao último arrear da Bandeira Nacional em Angola. 1975 - (Novembro, 11) - Com a independência de Angola é desactivado o BCP 21. 1977 - (Outubro, 19) - É constituido o Pára-Clube Nacional "Os Boinas Verdes", concretizando a vontade de 407 militares do CTP, que passavam a ser estatutariamente sócios fundadores. A 12 de Novembro o Pára-Clube é oficializado pelo Decreto-Regulamentar nº262. 1978 - (Julho, 01) - Definitivamente activada a BOTP2 em S. Jacinto. 1979 - (Julho, 05) - O CTP e as Bases recebem os seus Estandartes Nacionais em Tancos. 1981 - (Setembro) - Renasce, modernizada no formato, a revista BOINA VERDE, orgão de informação do CTP. 1985 - (Janeiro, 03) - O Estandarte Nacional do CTP, herdeiro do património moral e histórico dos batalhões de caçadores pára-quedistas, é condecorado com a Ordem Militar da Torre e Espada do Valor Lealdade e Mérito pela acção das tropas pára-quedistas no antigo Ultramar Português. 1987 - (Dezembro, 07) - A BETP é condecorada com a Medalha de Ouro de Serviços Distintos. 1991 - A BOTP1 (Monsanto) é desactivada e todos os seus meios materiais e humanos são transferidos para a BOTP2 (S. Jacinto). 1991 - (Julho, 05) - Durante as cerimónias do 35º Aniversário da criação das Tropas Pára-quedistas, em Tancos, o Ministro da Defesa Nacional, Dr Fernando Nogueira, no seguimento de um anúncio já feito em Bruxelas, confirma que a transferência das Tropas Pára-quedistas para o Exército é irreversivel e terá lugar em 1 de Janeiro de 1994. 1991 - (Setembro, 25) Cinco graduados pára-quedistas partem para o Zaire, em aeronave C-130 da FAP, em apoio da operação BLUE BEAM para evacuação de Europeus residentes no Zaire. 1991 - (Outubro e Dezembro) Oficiais do CTP integram pela primeira vez a missão portuguesa na European Comunity Monitor Mission (ECMM) para a Jugoslávia. 1992 - O Estandarte Nacional do CTP é agraciado com a Medalha de Agradecimento da Cruz Vermelha Portuguesa. 1992 - (Março e Agosto) - Oficiais do CTP partem pela primeira vez para a Ex-Jugoslávia ao serviço das Nações Unidas, como Observadores Militares da UNPROFOR. 1992 - (Abril, 25) - Mais de 30 anos após o 1ºCurso de Enfermeiras Pára-quedistas, depois de alteração legislativa, as mulheres são autorizadas a ingressar nas Forças Armadas. O 166º Curso de Pára-quedismo será o primeiro a incluir, de novo, mulheres, do grupo inicial 27 conquistariam a Boina Verde. 1992 - (Outubro, 02) - Um Pelotão de Pára-quedistas, em representação da BRIPARAS, participa em Bielefeld (Alemanha) na cerimónia de activação do Allied Rapid Reaction Corp (ARRC), componente terrestre das Forças de Reacção Rápida da NATO, na nova estrutura de Forças da Aliança Atlântica. 1992 - (Novembro) - As Tropas Pára-quedistas participam na operação de evacuação de cidadãos nacionais residentes em Angola enviando 33 militares para S. Tomé, Brazaville (Congo) e Angola. 1993 - (Setembro) - O 175º Curso de Pára-quedismo inclui pele primeira vez oficiais e sargentos do Exército que irão integrar a nova unidade aerotransportada do Exército. 1993 - (Dezembro, 30) - O Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas, Dr Mário Soares, condecora o Estandarte Nacional do CTP com a Ordem Militar de Avis.

1993 - (Dezembro, 31) - É extinto na Força Aérea Portuguesa o Corpo de Tropas Pára-quedistas (Decreto-Lei 27/94, de 5 de Fevereiro).

Aerotransportados (1994 - 2006)

1994 - (Janeiro, 1) - É criado no Exército Português (Decreto-Lei 27/94, de 5 de Fevereiro), o Comando das Tropas Aerotransportadas (CTAT) e a Brigada Aerotransportada Independente (BAI), com base nos efectivos especializados em pára-quedismo da FAP e do Exército. O CTAT é herdeiro das tradições e património do extinto Corpo de Tropas Pára-quedistas da FAP e também do extinto Regimento de Comandos do Exército. 1994 - O CTAT fica aquartelado em Tancos na antiga Base Aérea 3, e sob a sua dependência fica a Escola de Tropas Aerotransportadas (ETAT) criada em Tancos na extinta BETP, e a Área Militar de S. Jacinto (AMSJ) criada em S. Jacinto na extinta BOTP2. 1994 - A BAI é atribuida ao Allied Rapid Reaction Corp (ARRC) da NATO, sob controlo de uma Framework Division Italiana.


Organigrama da BAI 1995 - Um Batalhão da BAI é atribuido para participar na operação JOINT ENDEAVOUR da NATO, na Bósnia. 1996 - (Janeiro) - O 2ºBIAT da BAI e um Destacamento de Apoio de Serviços (DAS) embarcam para a Bósnia onde vão integrar a Brigada Multinacional Sarajevo Norte (BMNSN) de comando italiano, no sector da Divisão Multinacional Sudeste (DMNSE) de comando francês na IFOR. 1996 - (Janeiro, 24) - Em conseqência de um acidente com uma mina o 1ºCabo Paraq Mouta e o 1ºCabo Paraq Tavares do DAS morrem em Sarajevo. São as primeiras baixas mortais portuguesas na Bósnia. 1996 - (Agosto, 9) - O 3ºBIAT da BAI, sob o comando do Tenente-Coronel Paraq Fernando Saraiva, substitui o 2ºBIAT na Bósnia.


1996 - (Outubro, 6) - Em consequência de um acidente ocorrido com uma viatura blindada Chaimite, na qual se deslocavam em patrulha, morreram na Bósnia os Sold Paraq Francisco Barradas e Sold Paraq Ricardo Souto, do 3ºBIAT. 1996 - (Novembro, 6) - É criada a Força Multinacional Europeia EUROFOR, na cerimónia de activação do Comando da Força, em Florença - Itália, participam dois pelotões da BAI. 1997 - (Fevereiro) - Já após o final da missão da IFOR (Dez96) e a sua substituição pela SFOR, o 3º BIAT regressa a Portugal e é substituido por um batalhão reduzido, da Brigada Mecanizada Independente (BMI). 1997 - (Fevereiro, 14) - O Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio, condecora o Estandarte Nacional da BAI com a Medalha de Ouro dos Serviços Distintos. 1998 - (Janeiro) - O Regimento de Infantaria 15 (RI15) de Tomar, que desde o inicio de 1997 tinha aquartelado o 1º BIAT da BAI, deixa de estar sob o comando da Região Militar Sul e fica subordinado ao Comando das Tropas Aerotransportadas (CTAT). Com esta nova unidade passam a ser 4 os aquartelamentos do CTAT: a ETAT (Tancos), o CTAT/BAI (Tancos), a AMSJ (S.Jacinto - Aveiro) e o RI15 (Tomar). Algumas subunidades da BAI ficam aquarteladas noutras unidades do Exército, fora do CTAT: o Grupo de Artilharia de Campanha no RA 4 - Leiria (RMN), o Esquadrão de Reconhecimento no RC3 - Estremoz (RMS), e a Companhia de Engenharia na EPE - Tancos (RMS). 1998 - (Janeiro) - O 1ºBIAT da BAI, sob o comando do Tenente-Coronel Paraq Carreto Cuba, segue para a Bósnia-Herzegovina para substituir na SFOR, o batalhão da Brigada Mecanizada Independente que regressa a Portugal. 1998 - (Março) - A BAI participa activamente no Exercício STRONG RESOLVE 98, da NATO e Partnership for Peace (PfP). Este foi o maior exercício jamais realizado pela NATO. 1998 - (Junho) - O Comando da BAI e o 2ºBIAT participam, em França, no Exercício EOLE 98 da responsabilidade da EUROFOR e que contou com a participação de forças de França, Espanha, Itália e Portugal. 1998 - (Junho, 20) - Uma Secção de Abastecimento Aéreo da BAI (1 Oficial, 2 Sargentos e 9 Praças) vão para Cabo Verde no âmbito da missão de ajuda humanitária à população da Guiné-Bissau. 1998 - (Julho) - O 1ºBIAT regressa a Portugal sendo substituido na SFOR pelo Agrupamento ALFA da Brigada Ligeira de Intervenção. 1998 - (Julho) - Na sequência do violento sismo que em 9 de Julho abalou os Açores, a Companhia de Engenharia da BAI (CEng/BAI), aquartelada na EPE - Tancos, destaca para os Açores pessoal e material para apoiar os trabalhos de reconstrução. 1998 - (Dezembro) - Pela primeira vez uma mulher frequenta e obtém a qualificação no Curso de Instrutor de Pára-quedismo. 1999 - (Janeiro) - A BAI inicia a organização e preparação do Agrupamento ALFA/BAI (Agr ALFA/BAI-SFOR) com a missão de substituir, a partir de Julho, o Batalhão da BMI na Bósnia. O Agrupamento é constituido pelo Comando, Companhia de Comando e Serviços e uma Companhia de Pára-quedistas do 2ºBIAT da AMSJ, e pelo Esquadrão de Reconhecimento (ERec/BAI) do RC3. 1999 - (Fevereiro) - O Grupo de Artilharia de Campanha da BAI (GAC/BAI), aquartelado no RA 4 - Leiria, é equipado com obuses L - 119 105mm (Light Gun). Em 11 de Fevereiro, Sempre em Eficácia, os artilheiros pára-quedistas efectuaram em Santa Margarida a primeira sessão de fogos reais com as novas armas . 1999 - (Fevereiro) - Um Pelotão (-) com 20 pára-quedistas do 1ºBIAT do RI15 participa numa operação de ajuda humanitaria à Guiné-Bissau, partindo num avião C-130 da FAP que aterrou em Bissalanca. 1999 - (Abril) - É atribuida à BAI a missão de preparar o Agrupamento BRAVO/BAI para participar numa missão de apoio à paz no Kosovo, integrado numa força da NATO - KFOR. O Agr BRAVO/BAI é constituido pelo ERec/BAI, (que deixa de integrar o Agr ALFA/BAI), por um Esquadrão de Lanceiros, e um Esquadrão de Comando e Serviços. 1999 - (Julho) - O 2ºBIAT comandado pelo TCor Paraq Cameira Martins parte para uma segunda comissão na Bósnia, no âmbito da SFOR. Com a passagem do ERec/BAI para o Agr BRAVO/KFOR a unidade é totalmente constituida pelo 2ºBIAT que permanece na Bósnia de Julho 1999 a Janeiro 2000. 1999 - (Agosto) - O Agrupamento BRAVO/BAI-KFOR parte para o Kosovo para tomar parte na operação da NATO. Na KFOR o Agrupamento é integrado na Brigada Multinacional Oeste, sob comando Italiano. O Agr BRAVO permanece no Kosovo até Fevereiro de 2000 sendo então rendido por um Agrupamento da Brigada Ligeira de Intervenção. 1999 - (Agosto, 20) - Um Despacho do General Chefe do Estado Maior do Exército, General Martins Barrento, altera a designação da especialidade Aerotransportado para Pára-quedista (Para) e altera igualmente a designação de Batalhão de Infantaria Aerotransportado (BIAT) para Batalhão de Infantaria Pára-quedista (BIPara). 1999 - (Setembro) - É atribuida à BAI a missão de preparar um Agrupamento destinado a integrar uma força internacional numa operação de apoio à paz em Timor. O Agrupamento é constituido com base no 1ºBIPara, comandado pelo TCor Para Camacho Soares e integra uma Companhia de Fuzileiros. Por decisão das Nações Unidas a participação portuguesa não se concretiza. 2000 - (Janeiro/Fevereiro) - O 1ºBIPara, comandado pelo TCor Para Cordeiro Simões, e reforçado com uma Companhia de Fuzileiros, integra o Contingente Nacional para Timor (CNT) que vai participar na United Nations Transitional Administration in East Timor - Peacekeeping Force (UNTAET/PKF). Para além do Batalhão e de um Destacamento de Helicópteros, é atribuido a Portugal o comando do Sector Central da UNTAET, sendo comandante o Cor Para Lima Pinto. 2000 - (Janeiro) - O 2ºBIPara regressa a Portugal sendo substituido por uma unidade da BMI. De novo em S. Jacinto o 2ºBIPara inicia a sua preparação para render o 1ºBIPara em Timor. 2000 - (Fevereiro) - O BAS/BAI aquartelado no CTAT/BAI em Tancos (ex-BA3) é transferido para o aquartelamento do RI 15 em Tomar. 2000 - (Agosto) - O 1ºBIPara regressa a Portugal e ao RI 15 sendo substituido em Timor pelo 2ºBIPara sob o comando do TCor Para Marquilhas. 2000 - (Outubro, 3) - No decorrer de uma operação das Nações Unidas em Timor, o 1Sar Para José Vitorino M. Fernandes e o Sold Para José Miguel G. Lopes, do 2ºBIPara, foram vítimas de um acidente mortal com um helicóptero AL-III do Destacamento de Helicópteros da FAP na UNTAET. Com estas duas baixas eleva-se para seis o número das baixas mortais das Tropas Pára-quedistas em missões de apoio à paz, desde 1996. 2001 - (Fevereiro) - O 2ºBIPara regressa a Portugal e à AMSJ sendo substituido em Timor por um batalhão da Brigada Ligeira. 2001 - (Julho) - O 1ºBIPara, sob o comando do TCor Para Gomes Martins parte mais uma vez para a Bósnia-Herzegovina onde vai substituir um batalhão da Brigada Mecanizada Independente, como Reserva Operacional do Comando da SFOR. 2001 - (Dezembro, 19) - A Directiva do General Chefe do Estado-Maior do Exército para a reorganização do Exército prevê a reactivação do 3ºBIPara em Beja e a mudança do Comando da BAI de Tancos para outro local. O mesmo documento prevê a reactivação do Regimento de Comandos a duas Companhias, na Serra da Carregueira. 2002 - (Janeiro) - O 1ºBIPara regressa a Portugal e ao RI 15, sendo substituído na Bósnia por um BIMec. 2002 - (Janeiro-Julho) - Duas Equipas de Ligação constituidas por um oficial, um sargento e uma praça da BAI participam na Operação da NATO AMBER FOX, na Antiga República Jugoslava da Macedónia (FYROM). As equipas asseguravam a ligação da força da NATO aos monitores da OSCE. 2002 - (Junho, 8) - O 2ºBIPara, sob o comando do TCor Infª Pires da Silva e reforçado com uma Companhia de Fuzileiros Navais, volta mais uma vez a Timor-Leste, integrando desta vez a nova missão das Nações Unidas - UNMISET (United Nations Mission in Support of East Timor). O Contingente Nacional é comandado pelo Cor Para Jerónimo. 2002 - (Setembro, 19) - O Despacho 164/CEME/02, do General Chefe do Estado-Maior do Exército, determina a reactivação do 3ºBIPara no Regimento de Infantaria nº3, em Beja. 2002 - (Dezembro, 16) - O Brigadeiro-General Lima Pinto parte para a Bósnia-Herzegovina para comandar o Multinational Battle Group (MNBG), constituido por um Batalhão Português, um Batalhão Polaco, e uma Companhia Eslovena. O MNBG fica aquartelado em Doboj, no Norte da Bósnia e na dependência de uma Brigada de comando Norte-Americano. 2003 - (Janeiro) - O 1ºBIPara sob o comando do TenCor Cmd César Fonseca parte de novo para a Bósnia-Herzegovina, desta vez para Doboj, indo integrar o MNBG, comandado por um oficial Pára-quedista Português, na dependência de uma Brigada Americana na SFOR. 2003 - (Janeiro) - O 2ºBIPara regressa a Portugal e a S.Jacinto sendo substituido em Timor Leste no âmbito da UNMISET por um batalhão de Brigada Mecanizada. 2003 - (Março, 31) - Por Despacho de 31Mar03 do General CEME (exarado na Informação nº04 de 17Fev03 do Gen AGE) os militares qualificados em Para-quedismo em serviço nas unidades do CTAT e da BAI passam a usar na Boina Verde uma nova insignia. 2003 - (Maio, 19) - O Major-General Eduardo Lima Pinto assume o comando do CTAT e da BAI, substituindo o Major-General Avelar de Sousa que passou à reserva a 4 de Abril de 2003. 2003 - (Julho) O 1ºBIPara termina mais uma comissão na Bósnia-Herzegovina e regressa a Portugal e ao RI 15. 2004 - (Janeiro) - O 3ºBIPara, sob o comando do TCor Para Mendes dos Prazeres, parte para para Doboj, na Bósnia-Herzegovina, indo integrar o MNBG sob comando de um oficial Polaco e na dependência de uma Brigada Americana na SFOR. O Batalhão é reforçado com uma Companhia Eslovena. 2004 - (Fevereiro, 2) - Morre em Lisboa com 89 anos de idade o General Kaulza de Arriaga, o principal impulsionador da criação das Tropas Pára-quedistas em Portugal. 2004 - (Julho, 16) - O Soldado Pára-quedista Ricardo Manuel Pombo Valério do 3ºBIPara morre na Bósnia vitima de acidente. 2004 - (Julho) - O 3ºBIPara conclui o seu serviço na Bósnia e regressa a Portugal e ao RI 3. Uma vez mais é anunciada a sua desactivação. 2005 - (Janeiro, 13) - Elementos do 2ºBIPara integram a Componente PRT (componente portuguesa) de um Batalhão de Manobra Multinacional (MNBn) conjuntamente com forças turcas e polacas, na Bósnia Herzegovina. O MNBn faz parte da Multinational Task Force - North (MNTF N) da nova Força da União Europeia na Bosnia-Herzegovina - EUFOR. A Componente PRT é comandada pelo TCor Inf Para Carlos Pereira e fica aquartelada em Doboj. 2005 - (Maio) - É colocado online o Site Oficial da Tropas Pára-quedistas: http://www.paraquedistas.com.pt/ 2005 - (Julho) - Os Elementos do 2ºBIPara na Componente Portuguesa na EUFOR, na Bósnia Herzegovina, regressam a Portugal e à AMSJ. 2005 - (Setembro, 5) - Seis elementos da BAI (4 Oficiais e 2 Sargentos) partem para o Iraque para integrar a Nato Training Mission - Iraque (NTM-I), missao da OTAN para o treino das Forcas Armadas do Iraque. 2005 - (Setembro) - O 3ºBIPara é mais uma vez reactivado, desta vez na Unidade de Apoio do CTAT (UA-CTAT) para constituir a Força Nacional Destacada no Teatro de Operações no Kosovo. O Batalhão comandado pelo TenCor Para Carlos Sobreira ira actuar como reserva táctica da KFOR, ficando aquartelado em Camp Slim Lines em Pristina. 2005 - (Outubro, 15) - Iniciam-se oficialmente as comemorações do cinquentenário da criação das Tropas Pára-quedistas Portuguesas. As comemorações, organizadas pelo CTAT e pela União Portuguesa de Pára-quedistas (UPP), irão prolongar-se ao longo do ano indo culminar a 23 de Maio de 2006 em Tancos com a comemoração dos 50 anos da Casa Mãe dos Pára-quedistas Portugueses: BCP - RCP - BETP - ETAT. 2006 - (Março) - O 3ºBIPara conclui o seu serviço no Kosovo e regressa a Portugal e à Unidade de Apoio do CTAT e mais uma vez é desactivado. 2006 - (Março, 21) - É publicada uma nova Lei Orgânica do Exército (Decreto-Lei nº61/2006, de 21 Março). A nova Lei extingue o Comando das Tropas Aerotransportadas (CTAT), como comando de natureza territorial do Exército, e a Brigada Aerotransportada Independente (BAI). É criada uma nova Brigada de Reacção Rápida (BRR), que irá incluir os Batalhões de Infantaria Pára-quedistas, tropas Comandos e de Operações Especiais. A BRR é uma das componentes da nova Força Operacional Permanente do Exército (FOPE).

Reestruturação (2006 - ... ...)

2006 - (Março, 21) - A nova Lei Orgânica do Exército (Decreto-Lei nº61/2006, de 21 Março) extingue o Comando das Tropas Aerotransportadas (CTAT) e a Brigada Aerotransportada Independente (BAI) criando a Brigada de Reacção Rápida (BRR), que irá incluir os Batalhões de Infantaria Pára-quedistas, tropas Comandos, tropas de Operações Especiais, e os futuros helicópteros do Exército. 2006 - (Maio, 23) - Na data que as várias gerações de Pára-quedistas Militares Portugueses consideram o Dia dos Pára-quedistas, a Casa Mãe das Tropas Pára-quedistas comemorou o seu 50° Aniversário. A cerimónia pública contou com a participação de largas centenas de Pára-quedistas no Activo, na Disponibilidade, na Reserva e na Reforma.

BCP - RCP - BETP -ETAT - ETP 2006 - (Maio) - Na sequência da nova Lei Orgânica do Exército (Decreto-Lei nº61/2006), o Despacho nº12555/2006, de 24 Maio, do Ministro da Defesa Nacional, altera a designação da Escola de Tropas Aerotransportadas (ETAT) para Escola de Tropas Pára-quedistas (ETP) e a designação da Área Militar de S. Jacinto (AMSJ) para Regimento de Infantaria 10 (RI 10). A nova Brigada de Reacção Rápida passa a integrar as seguintes unidades (territoriais): Unidade de Apoio (Tancos), Escola de Tropas Pára-quedistas (Tancos), Centro de Tropas Comandos (Mafra), Centro de Tropas de Operações Especiais (Lamego), Regimento de Infantaria 3 (Beja), Regimento de Infantaria 10 (S. Jacinto), Regimento de Infantaria 15 (Tomar) e a Unidade de Aviação Ligeira do Exército (Tancos).

2006 - (Agosto, 28) - Um destacamento de 104 militares do 1ºBIPara, comandado pelo TenCor Para Serra Pedro, parte para o Afeganistão para integrar a International Security and Assistance Force (ISAF) da NATO no Teatro de Operacoes do Afeganistão. A força foi aprontada no RI 10 (S. Jacinto). 2006 - (Setembro, 20) - O 1ºBIPara do RI 15, comandado pelo TenCor Para Guerreiro da Silva, parte mais uma vez para o Teatro de Operações no Kosovo para integrar a KFOR. O Batalhão fica aquartelado em Camp Slim Lines em Pristina.



S COMANDOS nasceram no Exército Português como forças especiais de contra guerrilha para realizar acções especiais em território português ou mesmo no estrangeiro e/ou combater como grupos de infantaria em operações de assalto.

O eclodir do movimento de guerrilha em 04 de Fevereiro de 1961 e a quase imediata constatação nos teatros de guerra, em África, da necessidade, premente, da existência de uma tropa capaz de executar prontamente operações de contra guerrilha e/ou participar em operações irregulares, gera uma multiplicidade de iniciativas objectivando a criação de tropas especiais deste tipo no seio do Exército Português.

O envio à Argélia de um grupo de oficiais do Exército Português, a fim de tomarem contacto directo com as tropas especiais francesas ali estacionadas e, a consequente deslocação de oficiais franceses a Portugal para produzirem um ciclo de palestras sobre guerra subversiva e contra subversão, encerram, julgamos crer, a origem remota destas tropas especiais.


Como resultado prático destas acções cita-se a criação do C.I.O.E. – Centro de Operações Especiais, que veio a ocupar as instalações do secular convento de Santa Cruz, do antigo R.I.9, em Lamego, ao qual cabe formar Companhias de Caçadores Especiais, com uma missão centrada em acções dissuasórias e psicológicas junto das populações.

Os resultados da acção destas companhias depressa se revelaram muito aquém das necessidades reais. Pese embora a abnegação, o espírito de sacrifício e a vontade das tropas que ali vinham recebendo formação, o que jamais poderá ser posto em causa. Mas sendo correcto afirmar-se que houve uma franca evolução dos métodos de instrução das nossas tropas, certo será pensar também que essa não era, certamente, a preparação ideal, uma vez que as características do terreno, do clima e da própria guerra de guerrilha exigiam às nossas tropas uma actuação bem diversa da que então protagonizavam e para a qual não tinham a mínima preparação.

É, no entanto, nos Caçadores Especiais que se enraíza cada vez mais fortemente o desejo da constituição/formação de grupos de tropa especial, na pessoa do então Tenente-Coronel Almeida Nave, Comandante do Batalhão de Caçadores nº 280, aquartelado em Nóqui, Região Militar de Angola. Almeida Nave, era senhor de uma visão invulgar que aliava ao sentimento inabalável de busca de eficácia das tropas sob o seu comando. Com este objectivo bem definido, utiliza os valiosos conhecimentos adquiridos pelo antigo sargento da Legião Estrangeira e então jornalista fotográfico italo-fracês — Cesare Dante Vachi, com experiência de guerra na Argélia e na Indochina, para realizar, com o apoio deste, a primeira experiência com dois grupos do seu próprio Batalhão 280, submetendo-os a um treino de nível mais exigente, diferente e inovador vocacionado para contra guerrilha.

Os resultados não poderiam ser melhores a ponto de pesarem positivamente na decisão do General Venâncio Deslandes quanto à criação de um Centro de Instrução, destinado à preparação de grupos especiais, vocacionados exclusivamente para a luta anti guerrilha.

Os grupos independentes formados neste primeiro curso do C.I.21 adoptaram nomes de código para melhor identificação:

Os Fantasmas do Alf.Mil. Abreu Cardoso - BAT CAÇ.317 Os Vampiros do Alf.Mil.José M.Lousada - BAT.CAÇ.185 Os Aço do 2º.Sarg.Inácio Maria - BAT.CAÇ.186 Os Pedra do Alf.César Rodrigues - BAT.CAÇ.261 Os Nóqui A do Alf.Mil.Vieira Pereira - BAT.CAÇ.280 Os Falcões do Alf.M.Agostinho Gonçalves - BAT.CAÇ.325

Esta metodologia de códigos viria a ser adoptada pelas futuras equipas, grupos de combate e respectivas companhias.

É de referir alguns aspectos fundamentais que passaram a constituir a metodologia posta na preparação dos Comandos, como sejam, o uso permanente de meios reais, a preparação psicológica do combatente com o recurso a mensagens e gravações em fita magnética (Voz do Comando), e ainda o contacto directo com o inimigo como parte integrante da instrução, pois que só durante o curso ministrado no C.l.21 foram realizadas cerca de 10 operações.

A mobilidade, a rapidez e a entrada em acção imediata sobre o objectivo foram também aqui ensaiados quando pela primeira vez se procedeu a operações heli-transportadas.

Finalmente, todos os elementos que frequentaram o Curso com aproveitamento receberam o emblema COMANDO em pano bordado, com a divisa "AUDACES FORTUNA JUVAT" e o cartão COMANDO, emitido pelo Quartel General da Região Militar de Angola.

Face ao nível de eficácia revelado pelos excelentes resultados operacionais dos seis grupos então preparados, o Comando Militar de Angola decidiu e integração destas unidades na orgânica do exército e, em 1963 e 1964 são criados os centros de instrução C.I.16 e C.I.25, na Quibala (Angola). É nesta data que surge verdadeiramente, pela primeira vez, a designação de COMANDOS.

Em Fevereiro de 1964, iniciou-se na Namaacha (Lourenço Marques) o I Curso de Comandos de Moçambique e em Julho do mesmo ano, em Brá (Bissau) o Iº Curso de Comandos da Guiné.

A organização e os princípios organizativos dos comandos portugueses foram inspirados, entre outros, na Legião Estrangeira e nos pára-comandos Belgas. Não foi, por acaso, que os Comandos Portugueses adoptaram a canção francesa Donnez moi ma chance.

O "modus operandi" destas tropas tinha por base uma grande mobilidade e criatividade em técnicas de combate de contra guerrilha muito bem definidas e capazes de suportar actualização permanente.


Após a guerra, em 04/07/1974, é criado o Batalhão de Comandos na Amadora, que dá lugar ao regimento de Comandos em 1 de Maio de 1975, um e outro comandados por Jaime Neves. Até Junho de 1974, receberam formação nos Centros de Instrução de Comandos cerca de 9.000 homens dos quais 510


oficias, 1587 sargentos e 6977 praças, para empenhamento em operações activas. A estatística prova que as unidades de comandos foram utilizadas até à exaustão, por que melhor preparadas tiveram mais baixas.

Em 31/12/1993 por determinação superior, baseada numa alegada reestruturação das Forças Armadas, decreta o fim das tropas Comando, para dar lugar à Brigada Aerotransportada. Pelo caminho, dolorosamente, fica a realidade dos nossos 357 mortos e 28 desaparecidos, e ainda, os 771 feridos em combate que aqui recordamos e honramos. MAMA SUMA!






Os comandos constituíram cerca de um por cento do conjunto de efectivos empenhados na guerra colonial, mas o número dos seus mortos, é dez por cento do total de baixas, uma percentagem dez vezes superior à das tropas regulares. Eloquente é o número de condecorações individuais por feitos em combate: 13 da Ordem Militar da Torre e da Espada; 23 Medalhas de Valor Militar e 375 Medalhas da Cruz de Guerra.


A especialidade 959/COMANDOS é reactivada pelo despacho nº 16/2002 de S.Exa o General Chefe do Estado-Maior do Exército, criando uma Unidade de Comandos à escala de Batalhão, 3 companhias, sediado nas instalações do Regimento de Infantaria nº. 1 na Serra da Carregueira/Sintra.

A 16/09/2002 deu-se o início do primeiro curso após a extinção da especialidade e foi destinado a elementos dos quadros militares e voluntários contratados. Esta primeira companhia ficou operacional em 21/12/2002, dia da entrega de crachats.

O segundo curso, aberto a jovens sem qualquer experiência militar, decorreu no período entre 07/04/2003 e 29/06/2003. 

17/01/2004 - Parte do aeroporto militar de Figo Maduro, a 1ª. Companhia de Comandos integrada no Agrupamento Hotel, das Nações Unidas. Destino: as terras longínquas de TIMOR LOROSAE. Esta é a primeira missão dos Comandos portugueses no exterior, desde 1974 e deverá sera última das nossas Forças Armadas em Timor. A 1ª. Companhia de Comandos, comandada pelo sr. Capitão Comando Varino, tem um efectivo de 112 elementos que frequentaram o 100º Curso de Comandos, efectuado na Serra da Carregueira, cuja instrução terminou em 29 de Junho de 2002. O Regresso desta missão ocorreu em 11/06/2004.

Entretanto iniciou-se a 07/05/2004 o 4º.Curso de Comandos cuja cerimónia de imposição de crachats se realizou em 29/06/2004.

A 29/09/2004 dá-se início a mais um Curso de Comandos, o 5º. tendo Cerimónia de Encerramente ocorrido em 21/12/2004.

Em 2006 é criado o Centro de Tropas Comandos, em Mafra.



Em Portugal: 1939 A Grã-Bretanha assina um acordo de cooperação militar com Portugal, aceitando apoiar directamente o esforço de rearmamento e modernização das forças armadas portuguesas. O acordo só começará a ser cumprido a partir de Setembro de 1943. António Augusto Simões Rodrigues, História comparada. Portugal, Europa e o Mundo: Uma visão cronológica, Lisboa, Temas & Debates, 1997

[edit] Stuff

Michel Chandeigne (ed.), Le Voyage de Magellan (1519-1522) - La relation d"Antonio Pigafetta & autres témoignages, Paris, Éd. Chandeigne - Fundação Calouste Gulbenkian, 2007.

Afinal sabíamos muito pouco sobre Fernão de Magalhães

31.01.2008, Alexandra Prado Coelho


Um editor francês reuniu uma equipa e durante cinco anos estudou todas as fontes disponíveis sobre o navegador português que, ao serviço de Espanha, lançou a primeira viagem de circum-navegação. "Magalhães é a figura mais fascinante dos Descobrimentos", diz Michel Chandeigne. Os arquivos portugueses sobre ele "estão por estudar" e ainda podem esclarecer muitos mistérios


Basta uma busca rápida na Internet e lá está: o navegador português Fernão de Magalhães, o homem que lançou aquela que foi a primeira viagem marítima à volta do mundo, terá nascido na aldeia de Sabrosa, em Trás-os-Montes. Erro, diz Michel Chandeigne, editor e coordenador de uma obra em dois volumes (por enquanto com edição apenas em francês) sobre Magalhães. Erro, como tantos outros que se repetem em vários livros sobre o navegador, e que Chandeigne e a sua equipa tentam agora clarificar em Le Voyage de Magellan (1519-1522) - La relation d"Antonio Pigafetta & autres témoignages (Éditions Chandeigne com o apoio da Fundação Gulbenkian, 2007), apresentado esta semana no Instituto Franco-Português, em Lisboa. "É a primeira vez no mundo que se reúnem todas as fontes narrativas e cartográficas directas sobre a viagem de Magalhães", diz Chandeigne ao P2, visivelmente entusiasmado com o trabalho a que se dedicou nos últimos cinco anos. "Ao reunirmos estas fontes, apercebemo-nos de que havia muitos erros que se repetiam de livro para livro". Mas o que mais o surpreendeu foi o reduzido número de obras publicadas sobre Magalhães, que considera ser "a personagem mais fascinante da história dos Descobrimentos". Este aparente desinteresse por Fernão de Magalhães pode explicar-se, segundo Chandeigne, pelo facto de "ele ser uma espécie de anti-herói, tanto em Portugal como em Espanha". Em Portugal "era visto como um traidor", por ter ido oferecer os seus serviços ao rei espanhol, e em Espanha era visto como um navegador que falhou, não tendo conseguido regressar da viagem pelo Ocidente até às Molucas, por mares não reservados aos portugueses no Tratado de Tordesilhas (morreu em combate com indígenas nas Filipinas). Documento inédito É por isso que a "bibliografia exaustiva" que Chandeigne e a sua equipa - o próprio Chandeigne assina como Xavier de Castro, e contou com o apoio, nomeadamente, de Carmen Bernand, Jocelyne Hamon e do historiador português Luís Filipe Thomaz - apresentam neste livro "tem umas 30 páginas, enquanto se fosse sobre Vasco da Gama teria umas 300 e sobre Cristóvão Colombo umas 600". Isto mostra, diz o editor, "como Magalhães foi sempre tratado por amadores, com uma ou duas excepções". O seu primeiro biógrafo foi, em 1864, o chileno Barros Araña, e o primeiro que fez um trabalho sério de síntese dos arquivos foi José Toribio Medina, outro chileno, no final do século XIX, início do século XX. E se havia erros ou imprecisões nos trabalhos inicialmente feitos sobre o navegador, eles foram sendo repetidos por historiadores que em vez de regressarem às fontes originais, recorriam ao que já tinha sido escrito. A história do nascimento em Sabrosa, por exemplo, parece ter origem num texto escrito por Ferdinand Denis num artigo de 1862 sobre Magalhães, e que é retomado depois por Barros Araña. Denis baseia-se em dois testamentos, um dos quais atribuído ao próprio Fernão de Magalhães e que foram, mais tarde, identificados como falsos. Isto não impediu que muitos turistas passassem por Sabrosa para ver a casa natal do navegador, "uma quinta um pouco em ruínas, que foi baptizada como "Pereira" porque uma velha pedra de armas, com os brasões ausentes, e que veio a desaparecer, foi encontrada num canto", escreve Chandeigne no livro. Actualmente, no site do Concelho de Sabrosa pode ler-se que, apesar da naturalidade de Magalhães "ser um problema muito discutido [...] sabe-se que viveu na casa dos Pereiras em Sabrosa". O autor francês admite que o navegador tenha nascido no Porto, mas não há nada que o prove, apesar de "no verdadeiro testamento de Magalhães haver muitas indicações de que estava ligado à cidade do Porto". Mas não é só o local de nascimento que permanece um mistério, sublinha Chandeigne. Não foram ainda encontrados documentos que permitam tirar conclusões definitivas sobre a data de nascimento ou sobre quem era o pai do navegador. E "sobre a juventude de Magalhães na corte de D. Leonor não sabemos nada". Chandeigne admite, contudo, que muito se possa ainda vir a descobrir nos arquivos portugueses. "Encontrei na Biblioteca Nacional [de Portugal] um documento inédito sobre os irmãos de Magalhães, Diogo de Sousa e Duarte de Sousa de Magalhães, que nenhum historiador tinha visto. Se eu, francês, amador, descubro em pouco tempo um documento inédito, imagine o que fariam verdadeiros profissionais nos arquivos durante um ano". Também José Manuel Garcia, que no ano passado lançou A Viagem de Fernão de Magalhães e os Portugueses (Presença), encontrou na Torre do Tombo um documento inédito com a assinatura de Magalhães, conta Chandeigne. Por isso, o francês não tem dúvidas: "Os arquivos portugueses sobre Magalhães não estão estudados". Uma morte misteriosa A tarefa não é fácil, reconhece. "Havia vários homónimos na época, e não se sabe se, quando é citado nos arquivos, estão a falar do navegador ou de outro, um primo, por exemplo". Confusão que alimenta mitos, como o de que Magalhães não teria morrido (o corpo nunca foi devolvido) nas Filipinas, mas teria sobrevivido e regressado clandestinamente a Portugal. Entre as muitas ideias feitas sobre Magalhães está, por exemplo, a de que ele quis dar a volta ao mundo para provar que a Terra é redonda. "Erro. Toda a gente sabia que a Terra era redonda. Além disso, ele não queria dar a volta ao mundo, queria chegar às Molucas (ricas em especiarias) pelo Ocidente e regressar pela mesma via. Aliás, essas eram as ordens que tinha recebido do rei de Espanha". No entanto, Magalhães não cumpriu as ordens, que, entre outras coisas, o proibiam de lutar com os indígenas. E aí entra-se em mais um mistério: as circunstâncias da morte do navegador, num combate desigual, 30 homens ao seu lado contra mil indígenas, nas Filipinas. "Quando ele chega às Filipinas, compreende que se enganou, que chegou a ilhas que estão já na zona do mundo sob domínio português". A equipa de Chandeigne coloca duas hipóteses: "Ou ele queria conquistar domínios para o rei e para ele antes de chegar às Molucas; ou então percebe que já falhou [na missão que assumira perante o rei], e vai-se bater 100 contra um com os indígenas". Se foi assim, tratou-se de uma espécie de suicídio, "um acto desesperado de um homem que não pode voltar à sua pátria porque é um traidor, não pode voltar a Espanha porque falhou, e já não sabe o que fazer". Mas se o nascimento e a morte permanecem envoltos em mistério, a viagem de Magalhães é o período da sua vida melhor documentado - e mais ainda depois deste livro, que parte do relato de Antonio Pigafetta (a partir do cruzamento de três manuscritos conhecidos, dois em francês e um em italiano, que se completam e aparecem nesta edição interligados, com cores diferentes) e junta-lhe uma série de outros testemunhos da época, para além de vários mapas, entre os quais os primeiros que foram feitos das Molucas, e o mapa que Fernão de Magalhães fez antes de partir de Espanha e que, segundo Chandeigne, "mostra que ele tinha uma visão muito exacta das distâncias do mundo, e da dimensão do Pacífico". Os sobreviventes Cruzando as várias fontes, os autores do livro chegaram a algumas conclusões novas. Uma delas é a de que na travessia do Pacífico não morreram 19 homens (ao contrário do que dizia Pigafetta, no que poderá ser um erro de copista), mas apenas nove. "Reconstituímos os nomes dos marinheiros que partiram nos vários barcos, cruzámos com informações sobre as pensões aos sobreviventes e às viúvas e conseguimos determinar a data da morte ou do regresso de todos eles". O número de nove, a que chegaram, é surpreendentemente baixo, mas Chandeigne tem uma explicação para isso. "Houve muito poucos mortos porque eles consumiram aipo e fizeram conservas em vinagre, que preservam a vitamina C". A investigação permitiu ainda concluir que, ao contrário do que habitualmente se diz, não houve 18 sobreviventes desta viagem de circum-navegação ao globo, mas sim 90. É verdade que o Victoria, o único dos cinco navios que conclui a volta, regressa a Sevilha apenas com 18 pessoas, mas há 12 prisioneiros que ficaram em Cabo Verde e voltam mais tarde. A estes somam-se cinco sobreviventes do Trinidad, o navio comandado por Magalhães, que sofreu várias peripécias, e que só voltaram cinco anos mais tarde. E, por fim, 55 que voltaram no San Antonio, que desertou no estreito na ponta da América do Sul. Mas, mesmo conseguindo-se reconstituir todas as escalas que os navios fizeram, todos os produtos de farmácia que transportavam, todas as biografias de todos os marinheiros, há coisas que provavelmente nunca saberemos. Por exemplo, que tipo de homem era Fernão de Magalhães? "Sabe-se que coxeava, e que era pequeno e largo", diz Chandeigne. Do que pensou, do que sentiu, nada sabemos. A não ser que, segundo uma das fontes, terá ficado com lágrimas nos olhos quando confirmou que existia um estreito que permitia atingir as Molucas por Ocidente - o estreito que ficou conhecido como de Magalhães.